“Ten million stories in the city,
Ten million backs against the wall…”
Eric Carr
Galera do kisscover.com!
Com relação à passagem do KISS no Brasil nos dias 07 e 08 de abril de 2009, há pelo menos um milhão de histórias pra contar. E eu gostaria de dividir a minha com vocês:
Assim que o show da Argentina foi anunciado eu e meu companheiro de viagem Osvaldo Montanha reservamos o nosso lugar no avião.
E quando vieram os shows do Brasil ficamos ainda mais empolgados para o que apelidamos de Rock and Roll Week ´09.
E veio o show de Buenos Aires. E que show!!!
Aliás, foram dois shows em um: o do KISS, no palco, e o da galera argentina na pista e nas arquibancadas do Estádio Monumental de Nuñez, palco da final da Copa do Mundo de 78, local acostumado a platéias barulhentas.
Sempre tive minhas restrições contra a empáfia de alguns argentinos, mas neste caso específico tenho que abrir uma exceção e “pagar pau” para a energia que os auto-denominados kisseros entregam durante a apresentação da banda.

Buenos Aires, domingo, 05 de Abril de 2009. 22h.
O barulho é incrível e como se não bastassem cantar todas as músicas, os caras ainda cantam os riffs e uma música que fizeram em homenagem à banda más caliente del mundo: a tal da “Soy Kissero”, quando entoada por 65 mil vozes é algo difícil de descrever com palavras.
O show teve alguns problemas técnicos e algumas bolas na trave por parte da banda, mas tudo dentro dos padrões do rock and roll, onde grande energia e grande espontaneidade permitem ou anulam por completo pequenas falhas.

KISS Destroys Argentina. We survived: Giba, Amiel, Osvaldo Jr e Helio
E veio o show de São Paulo.
Na véspera recebi um email de Eric Singer, perguntando se eu precisava de ingressos.
Respondi que seria legal se ele pudesse colocar o meu nome na lista, mas que eu queria mesmo era trocar uma
ideia e bater um papo rápido.
E ele colocou o meu nome na lista de convidados da banda, com direito a acesso ao “meet and greet”, o tradicional bate-papo entre o KISS e fãs endinheirados e que eu nem sabia que ia acontecer!
E então começaram os meus problemas...
Demorei cerca de uma hora e meia até encontrar alguém que pudesse me explicar onde estavam meus ingressos e meus crachás.
Quando os consegui, perguntei aonde deveria ir para encontrar a banda e ninguém soube responder. Nenhum segurança e nenhum funcionário da T4F tinha conhecimento daquele backstage pass…
Demorou mais uma hora até que uma supervisora da T4F, que apesar de não ter sido informada sobre aquele tipo de credencial para convidados da banda, resolveu me ajudar.
E eis que os seguranças permitiam que ela adentrasse a área localizada atrás do palco, mas negavam o meu acesso.
Até que ela explodiu e disse ao segurança: “Cara, a credencial dele é MUITO mais importante do que a minha!!! Como eu posso passar e ele não???”
E tiveram que chamar o chefe do chefe do chefe da segurança pra liberar a minha passagem.
Quando cheguei ao business center do KISS, localizado entre os camarins e o palco, falei com uma das managers, que me disse que achava pouco provável a realização de algum meet and greet porque a banda estava cansada e tinha dado muitas entrevistas. Ela disse que eu poderia esperar ali, se quisesse.
Depois de muito tempo esperando, desisti. E fui para a parte de trás do palco para acompanhar a chegada da banda.
E chegaram as vans. Na primeira estavam Paul e Tommy.
Gene e Eric vinham logo atrás e a van em que estavam parou bem na minha frente.
Assim que a porta de trás se abriu, o Eric saiu, me viu e perguntou em tom de “bronca”: “Porra, você não apareceu lá?? Eu pus o seu nome na lista!! O que aconteceu??”
Depois de uma breve explicação ele murmurou algum lamento do tipo PQP ou coisa parecida e foi pra perto dos outros caras, ao pé da escada de acesso ao palco, onde passou a conversar com um dos funcionários da banda, que apontou sua lanterna na minha direção.

Roadie, Eric Singer e Mike Amato: searching in the darkness [for Pavan!]
Assim que me fiz visível, ele veio até mim. Era Mike Amato, road manager do KISS.
Ele me perguntou o que havia acontecido e me pediu desculpas pelo mal entendido.
Mike se mostrou um camarada extremamente educado e atencioso. Fiquei até impressionado!
Disse a ele que estaria no RJ no dia seguinte e ele me pediu para que telefonasse às 7 da noite para que pudesse tomar as providências necessárias e evitar qualquer “mix up”. Me senti aliviado.

Tommy, Eric, Paul, Gene: one minute to go!
E veio o show, que todo mundo viu e que eu posso afirmar: simplesmente excelente. Emocionante!
Na minha lista, de treze shows do KISS, ele fica empatado em primeiro lugar com o show que vi no RITZ em NY, uma semana antes do lançamento do Revenge.
Paul Stanley fazendo tremular a bandeira brasileira foi uma grata surpresa e a cereja no bolo!
Extenuados, mas impulsionados pela força do Rock and Roll pegamos a estrada e nos mandamos para o RJ. Eu e Daniel Gohn (“who somehow figures into the story later”).
Chegamos à Av. Brasil às 17h. Só não contávamos com o intenso trânsito, que faz a Marginal Tietê parecer brincadeira de criança...
Conseguimos chegar ao hotel às 19h15, o meu coração já estava saindo pela boca porque eu tinha um telefonema importante a fazer e já estava mais do que louco com aquele trânsito infernal.
E justo eu, que reclamava da Marginal…. Era feliz e não sabia!
Pois tentei entrar em contato com Mike Amato usando o telefone do hotel. Tentei inúmeras vezes, sem sucesso.
Osvaldo Jr. tentou outras tantas do seu celular, igualmente sem sucesso.
Sem opção, fomos para a Apoteose, o tempo passando rápido demais e as chances de encontrar o KISS em pessoa diminuindo a cada minuto.
Chegando lá, descobri algo que parecia impossível: os funcionários eram ainda mais mal informados que os de SP.
E quase não havia ninguém da T4F, apesar de haver um pelotão de seguranças, um mais ignorante que o outro.
Foi então que Osvaldo, num lance que envolve competência e sorte, conseguiu falar com um colega, que estava trabalhando naquele momento em São Paulo e que finalmente conseguiu fazer a ligação internacional e nos colocar em conferência com Mike Amato.
E então “meus problemas acabaram”!!
Rapidamente fomos colocados pra dentro.
Mike foi extremamente gentil e garantiu um crachá extra para meu amigo Daniel Gohn, kisseiro de longa data, que dentre outros tantos assistiu ao show do Mineirão e aparece ao meu lado no DVD Second Coming, do lado de fora da fila de acesso para o showcase da Brooklyn Bridge em Set/96.
A partir daí foi só alegria.
Ficamos próximos à entrada do camarim e logo saiu Eric, já pronto para o show. Batemos um papo rápido, contei minha saga e ele disse que isso é super comum em todos os países de língua estrangeira em que eles tocam. Sempre há esse problema de reconhecimento das credenciais da banda, etc.
E então, vindo do nada, entrou na conversa um fã russo, já velho conhecido de Eric.
O cara havia chegado naquela tarde ao RJ, diretamente de São Petersburgo, para ver o show.
Ia ser o 33º show do KISS para aquele cara. E eu achando que já tinha visto o KISS um monte de vezes...
Eric voltou para os camarins e então uma figura absolutamente incrível se juntou ao nosso grupo: André Coji.
André é um tipo muito tranqüilo, fala mansa. Extremamente educado. Possuía uma credencial idêntica à nossa.
Bom, o cara simplesmente foi segurança do KISS e mais especificamente de Eric Carr durante a passagem da banda pelo Brasil em 83.
Coji nos contou que ficou 15 dias com os caras no mítico Junho de 1983. Ele trazia consigo uma pasta contendo fotos impagáveis, impressas em formato A4 onde aparecia ladeado por Eric, Vinnie, Gene e Paul antes do show do Mineirão. Fotos incríveis e emocionantes.
Como se isso não bastasse, ele me disse algo que me deixou absolutamente boquiaberto.
André tem em sua posse a camiseta azul turquesa que fora usada por Paul Stanley no mitológico show do Maracanã!!!
Ao ouvir isso, com muita calma e polidez, eu disse: “CARALHO!!!!!!!!!! PQP! Você deveria colocar isso numa redoma de vidro e expor como objeto de culto!! Essa camiseta é o Santo Graal para qualquer brasileiro fã do KISS”
Coji sorriu. Ele sim, calmo e polido!
Tendo como base as fotos que ele me mostrou, não há como duvidar do fato.
Minutos depois chegaram Tadeu Schmidt e João Mini Criss, o tal moleque do Fantástico (na reportagem, o cara loiro, calvo de cabelos longos e sorridente é Mike Amato, nosso anjo da guarda!).

Tadeu e João
Doc McGhee veio buscar o menino pessoalmente na porta do prédio onde estavam os camarins.
Mike Amato então se aproximou do nosso grupo e eu comentei que não sabia da realização de nenhum meet and greet. Ele disse que realmente não havia nenhum agendado para os shows da América do Sul.
“Aqui só entra quem a gente quer”, nos contou Mike! E nos informou que ficaríamos em último lugar da fila, para que pudéssemos ficar um pouco mais com a banda. Alegria sem fim. Não havia como não se sentir importante e realizado e eu já nem queria mais ver o show. Só aquela alegria já me bastava.
Já dentro do prédio (o KISS monta verdadeiros centros administrativos em cada lugar que tocam) pudemos ver em detalhes o quarto de warm-up do Paul Stanley, com quadros, vasos com plantas ornamentais, sofás em couro e bolas de pilates.
Ao lado estava o makeup room, fechado com uma cortina do.... Superman!!
E então chegou a nossa vez. A porta se abriu e lá estavam Paul, Gene, Eric e Tommy, todos a caráter, minutos antes do show.
Pode falar o que quiser: que o cara conhece deus e o mundo, que é fudido e coisa e tal. Ali, naquela hora, os quatro juntos olhando pra você de cima pra baixo, a sua perna treme e tudo aquilo que você pensava em dizer simplesmente desaparece da sua cabeça. E olha que eu já tinha encontrado Gene e Paul em duas outras oportunidades!

André Coji, Osvaldo Jr, Helio Pavan e Daniel Gohn: life isn’t bad. Life is good!
Ficamos no camarim não mais do que dois minutos, onde nos cumprimentamos rapidamente e eu acabei sendo o único a falar um pouco mais.
Disse que após uma dúzia de shows do KISS, tinha visto algo inédito em SP: muita gente chorando ao final da apresentação, tamanha a emoção da galera após o show, ao que Paul me perguntou se havíamos nos divertido.
Após a resposta óbvia, ele nos disse que o importante é que a gente tinha se divertido. Mais Paul Stanley impossível...
Nos despedimos e fomos embora.

Daniel Gohn, Helio Pavan e Osvaldo Jr minutos após “A” foto: backstage passes, but no black sunglasses!
Claro, pensando nas mil e uma coisas que gostaríamos ou deveríamos ter perguntado e trocando idéias sobre os mil e um detalhes que cada um de nós havia percebido ali dentro.
Fomos unânimes em perceber que Paul estava bastante sério e político. Talvez mais do que sério, estava sisudo.
Creditamos isso ao cansaço causado pela agenda da banda.
Assim que o show começou identificamos imediatamente que Paul não estava no melhor de sua forma. Era nítido que preferia que o show tivesse sido marcado para outro dia. Não só sua voz quase o deixou na mão em alguns momentos, Paul mostrou o dedo para o pessoal da mesa de som na Strutter porque sua voz tinha sumido do PA.
Talvez as arquibancadas vazias da Praça da Apoteose possam ter contribuído de alguma forma para isso. Ninguém sabe.
Paul também emendou músicas rapidamente, como aconteceu no final de Black Diamond. E também no interlúdio em Lick it Up, onde mal haviam começado os acordes de Won’t Get Fooled Again, e Paul já olhou para Singer, dando a deixa para que apressasse as coisas.
Antes de I Was Made for Loving You, Paul, falando bem próximo do microfone, deu um recado para a crew, avisando que deviam prestar atenção, pois aquela era a penúltima música e não haveria LG aquela noite: “No LG tonight!!” (Inteligente, Paul mencionou apenas as iniciais de Love Gun, pois qualquer um sabe que haveria a possibilidade de vaias e reclamações caso a plateia soubesse de antemão que um dos pontos altos do show não aconteceria no RJ).
Essa atitude, no nosso entender, demonstra que essa foi uma decisão tomada por ele apenas, sem necessidade de qualquer conferência, e repassada à equipe.
Talvez porque estivesse cansado, talvez por perceber que sua voz não chegaria lá...
Mas não acredito que tenha sido por causa da chuva, como disseram. Enfim, é especulação.
De qualquer forma, foi uma semana inesquecível! Não só para mim, mas para os kisseiros de todo o Brasil.

Still Life
Abraço a todos e até a próxima Rock and Roll Week!!
Helio Pavan