Hélio Pavan em New York City - AeroKiss na veia !!!
Fotos por Hélio Pavan e Desiree Friesen

 

Dificilmente me esquecerei das férias de 2003. Quando pensei em curti-las no exterior, mais precisamente em New Jersey, USA (onde morei entre 92 e 96), nem me passava pela cabeça que eu poderia voltar a ver o KISS ao vivo e em cores.

Mas a sorte estava do meu lado e eis que consigo planejar minha viagem para coincidir com a vinda do KISS à Costa Leste americana. De lambuja ainda consegui pegar o show do Bon Jovi no Giants na minha primeira noite em terras americanas.

 
Bon Jovi

 

Cheguei em NJ no dia 08 de agosto de 2003, uma sexta-feira. Instalei-me na casa do empresário Fábio Portugal, meu amigo de infância e que desde o fim do século passado ganha a vida na América.

Mas o Fábio não estava muito a fim de ver o Bon Jovi. "Banda de bichinhas asquerosas", dizia ele. Era um caso perdido.

Tive então que recorrer ao meu amigo Byron Fogle, veterano companheiro dos tempos de Strange Ways, que prontamente atendeu a meus pedidos.

Lá pelas sete da noite partimos, eu e Byron rumo ao Giants Stadium em NJ. É um estádio que faz jus ao nome pomposo. Um gigante de concreto e vidro, com comodidades dignas dos melhores shoppings do Brasil.

Como chegamos um pouco tarde, o estacionamento já estava liberado e pudemos economizar US$ 15 (uma pequena fortuna em reais para pouco mais de duas horas de estacionamento!).

Um pouco mais à frente já podíamos avistar os cambistas (o show já havia começado). A primeira oferta foi de US$ 75 por ingresso (o valor original era de US$ 65). Oferecemos US$ 100 por dois e fechamos negócio.

Entramos no estádio quando a banda tocava Keep the Faith. Incrível a diferença do público num show desses nos Estados Unidos. Pessoas muito bem vestidas, cada um no seu lugar... sem contar com banheiros limpos, funcionários treinados para ajudá-lo em qualquer eventualidade, etc. Coisa de primeiro mundo, tenho que admitir, infelizmente.

Aqui vai o set list da noite:

TWIST´N´SHOUT
YOU GIVE LOVE A BAD NAME
WILD IN THE STREETS
EVERYDAY
LIVIN' ON A PRAYER
BLOOD ON BLOOD
KEEP THE FAITH
WANTED DEAD OR ALIVE
IN THESE ARMS
IT'S MY LIFE
LIVIN' IN SIN
THE DISTANCE
CAPTAIN CRASH AND THE BEAUTY QUEEN FROM MARS
RIGHT SIDE OF WRONG
RUNAWAY
SOMEDAY I'LL BE SATURDAY NIGHT
I'LL BE THERE FOR YOU (Richie cantando)
BLAZE OF GLORY
BORN TO BE MY BABY
I'LL SLEEP WHEN I'M DEAD
BAD MEDICINE

(Bis)
I GOT THE GIRL
JUST OLDER
BOUNCE

Terminado o evento fomos pra casa. Cinquenta dólares bem gastos!

 

KISS, KISS, KISS

 

Na terça seguinte, o evento dos eventos: poucas coisas podem proporcionar tanto prazer quanto assistir a um show do KISS. Pouco importa se o Ace não é mais o homem do espaço. Pouco importa se o nosso ingresso não é o melhor que há.

O que realmente importa é que vamos curtir um Rock and Roll da pesada, esse sim, o melhor que há. Sem contar que ainda tem o Aerosmith de lambuja na mesma noite!

E vamos ao show. Na melhor tradição americana, chegamos um pouco mais cedo, arrumamos um bom lugar no enorme estacionamento e vamos assar um churrasquinho. Isso mesmo, e regado a cerveja Heineken.

Talvez a idéia tivesse sido melhor se não fosse tão boa. Espera aí, eu já explico: é que nos esquecemos do tempo (eu, Fábio e os amigos Marconi Maia e Gilvan Santos) e acabamos perdendo o começo do show do KISS. Dá pra acreditar??? Que coisa ridícula. Pagamos US$48 para assistir ao show do KISS e perdemos boa parte do show.... imperdoável.

Enfim, conseguimos assistir ao que sobrou do show e deu pra curtir bastante. Pena que o nosso lugar não era dos melhores (na verdade era o pior). Ficamos muito distantes do palco e o som não era lá essas coisas. Era bastante nítido, mas estava baixo demais para um show de rock. 

O repertório do KISS foi o básico. Nada de surpresas para agradar os fãs mais ardorosos. Bem que eles poderiam tocar uma pérola ou outra de vez em quando... algo como Mr. Speed ou Flaming Youth.

 

Mas o KISS é uma banda burocrática nesse sentido. E o show agrada. Quem também agrada é Tommy Thayer.  

Para dizer a verdade quase não senti falta de Ace. Tommy toca com perfeição todas as músicas, coisa que Ace ou não consegue ou não se importa mais em fazer.  

O saldo é positivo, mesmo tendo perdido boa parte do show.

 

AEROSMITH

 

Os outros veteranos da noite fazem um ótimo show. Recheado com hits MTV-FM, a banda faz a alegria da galera mais jovem e principalmente da porção feminina da platéia.

 Com exceção de uma parte logo no começo do show quando eles se aventuram a tocar uns 10 minutos de blues, o Aerosmith deu um show de alta qualidade musical. Vale a pena conferir.

 Entretanto, tenho que dizer que preferiria tê-los visto tocar num dia diferente. Vê-los após o KISS me levou a comparações.

 Falta ao Aerosmith a parafernália visual do KISS. Sem efeitos visuais, o show perdeu em atrativos e se tornou cansativo em alguns pontos. Sem falar que os caras estão velhos demais!! Por vezes chega a ser assustador (quando a câmera os capta em closeups). Talvez eles ficassem melhor de maquiagem. Talvez.

 Se engana quem pensa que a odisséia se acaba por aqui. Ainda havia mais por vir.

H
Columbus, Ohio

 

O KISS se apresentaria no dia 19 de agosto, uma terça-feira, em Columbus, Ohio.

 Como a minha amiga Desiree vive em Columbus, não pensei duas vezes. Vou visitá-la e, de quebra, vou assistir a mais um show do KISS!

Ótimo!

 A Desiree também adora o KISS (foi ao show do Maracanã em 83) e nos descolou quatro super ingressos na 23ª fila.

 Para essa empreitada convoquei meu amigo Ron Albanese, outro veterano do Strange Ways que nem piscou antes de dizer sim.

 Colocamos o pé na estrada e 10 horas e uns quinze discos do Elvis Presley depois, estávamos em Columbus. Eu, Ron e nosso amigo Kenny, que nos levou em seu Ford Focus.  

 Fiz de tudo para chegar na hora dessa vez. Não poderia perder o começo do show de forma alguma!

 E assim foi. Chegamos cedo, nos instalamos em nossos excelentes assentos e esperamos o início.

O show

 

O dia ainda estava ensolarado às 20h, horário que os primeiros acordes de Detroit Rock City ecoaram no Germain Amphitheater.

Obviamente todos os pêlos dos meus braços fizeram questão de se arrepiar.

Não há como não se emocionar com o KISS entrando no palco, bombas explodindo, Paul Stanley correndo de um lado para o outro, pulando como um cabrito, como se fosse tirar o pai da forca, Gene Simmons em forma, maligno e um Peter Criss sorridente e suingueiro, como deve ser.  

 É verdade que algumas músicas como Do You Love Me (e a própria Detroit) foram tocadas um pouco devagar demais. Mas no cômputo geral foi um show daqueles, absolutamente inesquecível. Basta ver as fotos. E músicas como I Want You e 100.000 Years são sempre bem-vindas. Baita show!!  

 Do Aerosmith vimos pouco desta vez. Apenas as primeiras músicas. Quando chegou a hora da blues jam, resolvemos nos mandar e fomos bater papo no bar do anfiteatro, com o som do Aerosmith ao fundo. Chique, né?  

 Quem sabe no ano que vem tem mais. Dizem por aí que o KISS vai excursionar com o Def Leppard em 2004 (DEFKISS TOUR). Quem sabe os caras não resolvem dar uma passada por aqui (a gente não desiste de ter esse pensamento. Penso isso todo ano há mais de vinte anos...).